Por que todo desenvolvedor deveria ter um blog (e como criei o meu)

Por que decidi criar meu próprio blog?
Há algum tempo assisti ao Fábio Akita falando sobre a importância de programadores criarem seus próprios blogs pessoais. Seja para compartilhar um projeto, documentar estudos ou até tentar a sorte como influenciador, no fim doesn’t matter. O que realmente importa é o exercício da escrita. Se for sobre algo que você goste ou deseja registrar, o processo deixa de ser penoso e se torna prazeroso.
Foi aí que percebi que criar essas “anotações” realmente me ajudam a fixar melhor o que estou aprendendo. Essa prática é validada por estudos da neurociência e da psicologia cognitiva: o ato de tomar notas é uma das ferramentas mais eficazes para a consolidação da memória. A ideia é basicamente dizer para o cérebro que aquilo que você está escrevendo é importante. Quando você escreve algo com suas próprias palavras, você está processando a informação e cria conexões neurais mais fortes. O artigo Listening and note takin explica bem sobre.
Além disso, existe o conceito do “backup da mente”. Se daqui a algum tempo eu precisar refazer uma tarefa ou aplicar um conceito antigo, saberei exatamente onde procurar.
A busca pela ferramenta ideal: Do Notion ao Obsidian
O fracasso com o Notion
Comecei criando minhas primeiras notas no Notion, mas acabei me perdendo nas customizações. O Notion é excelente com suas milhares de possibilidades, que foi justamente o motivo do meu fracasso. Passei mais tempo estudando como criar templates, interligar notas, criar banco de dados, do que realmente escrevendo.
Além disso, o fato de tudo estar vinculado à plataforma me incomodava, nada era realmente “meu”. O estalo final veio quando tentei abrir uma nota sem conexão e não consegui, pois estava tudo na nuvem. Para criar um “backup do meu cérebro”, eu precisava ser dono da informação.
A simplicidade do Obsidian
Comecei a pesquisar por uma alternativa, que fosse simples e me desse controle total, foi ai que conheci o Obsidian. Ele é um editor visual de Markdown que, embora permita o uso de plugins poderosos, cumpre perfeitamente a função base que eu buscava: ser fácil e personalizável.
Sem entrar em muito detalhes do Obsidian, o que fiz foi basicamente instalar alguns plugins básicos que deixassem meu fluxo agradável, sem gerar dependência. Se o Obsidian deixar de existir amanhã, minhas notas continuam comigo e podem ser lidas em qualquer editor de texto. Tudo está offline, sincronizado entre meus dispositivos e sem dependência de nuvens proprietárias.

Compartilhando o conhecimento: LinkedIn vs. Dev.To
Ao tomar gosto pela escrita, decidi compartilhar minhas notas. Escrever para você mesmo é libertador, sem pressão por frequência, sem a necessidade de agradar a ninguém. Claro, não tem nenhum problema em querer escrever artigos com o intuito de ficar famoso, ou virar um “influencer”, o único problema é que a maioria das pessoas vai se frustrar, afinal você precisa ter uma boa cadência de postagens, estar sempre interagindo com seu público, é claro tomar cuidado para não ser “cancelado”.
Tentei inicialmente o LinkedIn, mas a experiência foi ruim para conteúdos técnicos. A falta de suporte nativo ao Markdown torna a formatação de códigos um processo penoso. Funciona bem para textos curtos ou relatos de experiência, mas para códigos, deixa a desejar.
Resolvi testar então a plataforma Dev.To, é de cara já gostei muito porque os post são escritos nativamente com Markdown, (bastou um “copiar e colar” das minhas notas). A plataforma oferece um bom dashboard de métricas e gera um engajamento orgânico interessante. Pretendo continuar usando o Dev.To para artigos técnicos em inglês, visando melhorar meu vocabulário e soft skills.
No entanto, este blog pessoal será em português. Quero aprimorar minha comunicação nativa e manter meu “segundo cérebro” acessível na minha língua materna.
Blog Engine Hugo com Hextra
Foi então que lendo justamente um post no blog do Akita, sobre o seu novo blog, que conheci a ferramenta perfeita para o meu propósito o Hugo. Ele é um gerador de sites estáticos que transforma Markdown em HTML. Usei o tema Hextra pela simplicidade e recursos como busca poderosa e tags.
Instalação e Configuração rápida
Seguindo a premissa de “primeiro faça, depois melhore”, a instalação foi simples. No macOS, via Homebrew (outros sistemas só conferir a documentação oficial)
brew install hugoPara criar o site e configurar o tema
hugo new site myblog --format=yamlNa pasta onde criou seu blog, faça a Inicialização do Hextra theme
cd myblog
hugo mod init github.com/username/myblog
hugo mod get github.com/imfing/hextraNo arquivo hugo.yaml, basta adicionar o módulo
module:
imports:
- path: github.com/imfing/hextraPara criar o menu de navegação, após importar o hextra no hugo.yaml, adicione
# Navigation Menu
menu:
main:
- name: About
pageRef: /about
weight: 1
- name: Contact ↗
url: ""
weight: 2
- name: Search
weight: 3
params:
type: search
- name: Rss
weight: 4
url: "/index.xml"
params:
icon: rssCriando as primeiras páginas para test
hugo new content/_index.md
hugo new content/docs/_index.mdPara rodar o blog localmente, inicie o servidor do Hugo e acesse http://localhost:1313
hugo server --buildDrafts --disableFastRenderSe o comando executar sem erros, você verá o site carregado no navegador, como na imagem abaixo:

Eu organizo os posts em content/blog por ano e mês (ex.: 2026/01). Assim eu consigo publicar rápido, manter o conteúdo organizado, e deixar o Hugo cuidar do index e da navegação entre as postagens.
O Hextra possui uma documentação muito completa com todas as opções de configuração. Você pode consultá-la aqui: Guia de configuração do Hextra.
Comandos extras Para atualizar todos os módulos do Hugo no projeto para a versão mais recente:
hugo mod get -uPara atualizar apenas o tema Hextra para a versão mais recente:
hugo mod get -u github.com/imfing/hextraOpcionalmente, após atualizar, você pode garantir que o go.sum e dependências estejam consistentes:
hugo mod tidyDeploy descomplicado com Netlify
Agora que está tudo configurado e rodando localmente, o próximo passo é fazer o deploy, eu decidir escolher a Netlify. Já tinha visto muitos desenvolvedores elogiando a simplicidade do processo e, de fato, me surpreendi. Bastou subir o projeto no GitHub e conectar a conta. Em segundos, o blog estava online com uma URL temporária.
Para usar meu domínio próprio, configurei os registros DNS da seguinte forma
Registro A @ 75.2.60.5
Registro CNAME www joaooliveira.netlify.appEm poucos segundos, o blog estava acessível em: https://joaooliveira.net

Conclusão
Alcancei o equilíbrio que buscava: um blog pessoal com baixo esforço de manutenção e alto controle do conteúdo. O foco agora é escrever, sem me perder em customizações infinitas. O combo Hugo + Hextra + Netlify entrega simplicidade agora e flexibilidade para o futuro.
Links e Referências
Projeto
- Repositório no GitHub: Código-fonte, configurações e estrutura de pastas deste blog.
Referências Úteis
- Meu novo blog: como eu fiz: Artigo de Fabio Akita que serviu de inspiração para a escolha da stack.
- Documentação Oficial do Hextra: Guia completo para configuração e customização do tema utilizado.